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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Tênis x Frescobol - Rubem Alves

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“Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele:

Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: “Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?”. Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra – é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: “Eu te amo, eu te amo…”. Barthes advertia: “Passada a primeira confissão, ‘eu te amo’ não quer dizer mais nada”. É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: “Erótica é a alma”.

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra – pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir… E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos…

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá…
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:

Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: “Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo”. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: “Tens razão, minha querida”. A situação está salva e o ódio vai aumentando.

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem – cresce o amor… Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…”

https://www.asomadetodosafetos.com


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Imagem by: Search Google

quarta-feira, 25 de abril de 2018

Junte-se a nós.

Você pode continuar fazendo o que faz: somando Massa Crítica para os eventos e conhecimentos ...
Você pode continuar também elaborando e sincronizando o antigo com o novo ...
Ou
Você pode deixar o mundo ser como está sendo e se permitir fazer parte desse processo,
Você pode fazer e deixar que outros ocupem as funções de saber o como foi feito e o porquê.
É esse o convite.
"Nós somos quem nós estávamos esperando". E somos mesmo.
Já vivemos uma Era de Ouro antes. Estivemos aqui na passagem da Era de Ferro para a Nova Era Dourada. Sabemos o que foi feito. Sabemos o que tem que ser feito e porquê...
Não sabemos o que é agora, não sabemos o que vocês estão fazendo e nem para quê... mas sabemos onde querem chegar e nesse ponto novamente nos encontramos, juntos num mesmo objetivo.
Junte-se à nós. Façamos juntos essa Nova Era Dourada da Humanidade Terrestre.
Somos muitos e diversos são os campos de nossa atuação. Sabemos como tudo foi feito no passado remoto e como deve ser agora. Somos Ancestrais.
Necessitamos de acessibilidade. Necessitamos dessa lente atual, dessa ótica crística que o mundo possui hoje e que não possuiu em nenhuma outra época da história dessa humanidade.
Junte-se à nós. Oferecemos precedência nos acordos, nas escolhas. Oferecemos acessibilidade em troca de inserção.
Nosso mundo foi dividido em bom e mal, pobres e ricos. A dualidade está intrinsecamente em nós.
A pluralidade está intrinsecamente em vorevivência cês. Junte-se a nós e seremos uma Nova Era Dourada Plural.
Nós leremos o mundo e suas possibilidades douradas à partir da sua visão e essa pluralidade será considerada a essência das mudanças e transformações a serem feitas.
Vocês olharão o passado com o mesmo peso e mesma medida e não haverá certo e errado, não haverá justiça; vocês darão à Ancestralidade o mesmo parecer de equanimidade que estão a receber agora.
Juntos daremos a essa Nova Era um formato jamais visto e a palavra democracia fará finalmente parte, não de um sistema de administração política como foi no passado, mas, de um sistema de ocupação de espaço público como é a visão que temos desse planeta.
Junte-se a nós. Seja Ação. Seja Construção. Seja o novo crivo, a nova régua, o novo esquadro.
Ao término da Era de Ouro, quando a Nova Terra estiver pronta e seus feitos tiverem sido marcados na poeira do Tempo e o Tempo trouxer os novos ciclos, novas eras... outros poderão falar sobre isso tudo, poderão elaborar teorias, contextualizar os conhecimentos que foram usados então.
Na Ouro o homem faz. Na Prata o homem vende. Na Cobre o homem se questiona. Na Ferro o homem destrói... mas não precisa ser assim agora.
Na Era de Ferro o homem se posiciona, ergue bandeiras, decide sobre si e sobre o mundo mas nesse atual término da Era de Ferro e passagem para a Era de Ouro o homem pode simplesmente permitir. Essa é a ajuda que necessitamos.
Junte-se a nós.
Muitas coisas estão sendo feitas nesse momento. Muitas coisas em muitas áreas, todas essenciais à vida e sobrevivência do planeta e das espécies de vida do planeta. Muito se pode ver, muito não se pode ver. Muito está sobreposto. O que será já está sendo e isso já pode ser visto e observado, em condições ideais.
Visões parciais de situações parciais tem sido uma causa majoritária do desequilíbrio que leva à destruição e é nessa messe que precisamos de Massa Crítica, de pluralidade, de inserção e acessibilidade, de confiança tolerante. 
Junte-se a nós e conseguiremos passar do ponto A (a Era de Ferro) para o ponto C (a Era de Ouro, a Terra Nova) sem passar pelo ponto B (a destruição de tudo o que conhecemos, o apocalipse).
Você estará onde deseja estar. Esse é o compromisso em todas as frentes. Você será quem deseja ser pois você já é isso.

Tal qual já foi dito em muitas outras épocas da história da humanidade nós somos seus pais, irmãos, avós; somos os deuses e deusas da antiguidade; somos os que voltaram a ser, somos a realidade da pluralidade existencial e da pluralidade de mundos (multiversos). Nós somos vocês em ação.
Junte-se a nós e permita que o que precisa ser feito seja feito.
Não julgue. Não condene. Não absolva. Não premie.
Não seja Justiça. Não seja Lei. 
"Há muitas moradas" nós asseguramos isso.
Junte-se a nós e a ponte que dá passagem da Era de Ferro à Era de Ouro não será destruída ao final e poderá ser acessada pelos que ainda hão de vir.

VSO.

Canalizado por VSO. Psyconomics.

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Debruçando-se sobre o ócio

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Nós nos comunicamos em várias camadas
A contar do chão da realidade
Nesse chão em que somos visitados pela dor e pelo infortúnio
Baseamos naquilo que nos dá maiores alegrias,
maiores tristezas, maior sofrimento.
Cremos em algo mais real 
do que alguma outra coisa
e nessa base difinimos
o que é ou não real.
Mas há o outro.
A conta que não fecha.
Cotidianamente confrontamos a nossa realidade
com a realidade do outro
e nos equalizamos e equalizamos o outro,
e equalizamos os outros e por eles somos equalizados.


Somente no caos podemos coexistir compartilhando realidades, nossas diferenças.


Somente no caos, na ausência da hierarquia e da ordem,
podemos co-existir e co-criar
como Si Mesmos, como Personas e em Coletivos.


VSO.

debruçando-me sobre o ócio
ATOS, outubro/2017

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