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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Debruçando-se sobre o ócio

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Nós nos comunicamos em várias camadas
A contar do chão da realidade
Nesse chão em que somos visitados pela dor e pelo infortúnio
Baseamos naquilo que nos dá maiores alegrias,
maiores tristezas, maior sofrimento.
Cremos em algo mais real 
do que alguma outra coisa
e nessa base difinimos
o que é ou não real.
Mas há o outro.
A conta que não fecha.
Cotidianamente confrontamos a nossa realidade
com a realidade do outro
e nos equalizamos e equalizamos o outro,
e equalizamos os outros e por eles somos equalizados.


Somente no caos podemos coexistir compartilhando realidades, nossas diferenças.


Somente no caos, na ausência da hierarquia e da ordem,
podemos co-existir e co-criar
como Si Mesmos, como Personas e em Coletivos.


VSO.

debruçando-me sobre o ócio
ATOS, outubro/2017

Imagem by Search Google

sexta-feira, 2 de junho de 2017

O Valor da Vida

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"... há um problema filosófico 
verdadeiramente sério: é o suicídio.
Julgar se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma questão fundamental da filosofia. 
O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou dez categorias, vem depois.
São apenas jogos: primeiro é necessário responder."




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Há uma parábola budista muito interessante sobre o valor da vida:
Um monge conservava uma xícara de chá ao lado de sua cama, e, toda noite, antes de dormir, ele a emborcava. Ao acordar, ele tornava a virá-la, deixando-a em sua posição convencional. 
Quando um intrigado discípulo lhe perguntou o porquê daquele gesto, o monge explicou que, simbolicamente, esvaziava a xícara da vida todas as noites, 
(...) "


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O Valor da Vida

Eu penso em uma pedra, numa montanha
o que é vida?

Penso em um vegetal, numa flor, em brócolis
o que é vida?

Penso em um animal, num pet, em dinossauros
o que é a vida?

Penso em mim, nos meus filhos e netxs
o que é a vida?

Não sei, imagino, elaboro, filosofo mas não sei
ela é o sangue? os ossos?
ela é os nossos laços herdados, os laços adquiridos?
ela é o tempo de vida?
Eu não sei.

Como podemos então falar sobre a vida do outro,
sobre o valor da vida do outro?

Valor é preço? é consideração? é valia?
é comparação?

O valor da vida é o valor que se dá à vida?
Minha, do outro, da raça, do gênero?

Penso realmente que essa questão é fundamentalmente
de cunho religioso
e político
pois do ponto de vista pessoal,
da pessoa,
do indivíduo,
não se poderia avaliar o valor da vida
de toda uma vida vivida
ou inteiramente a ser vivida.


Não é possível por que para cada um a vida é uma infinidade
de possibilidades a serem vividas,
é uma eternidade 
de tempo não calculável para infinitas oportunidades.

O que existe de desconhecido nesse mundo que seja mais valorizado
do que a vida?
Não sabemos o que ela é, não a definimos,
não totalmente.
Extrapolamos o valor de cada parte
e valorizamos, mais ou menos, a soma de tudo.

Isso tudo nos diz a razão mas ao pularmos essa parte,
ao deixarmos de lado a ausência de definição
do que é a vida e de qual o valor que ela possui,
nós a sentimos.

Sentimos?
Sentimos o pulsar da vida, sentimos a ânsia da vida por si mesma,
nós a sentimos?
Sentir define o que é vida? Sentir dá valor à ela? A valoriza?

Eu sinto, Tu sentes, Ele sente. Nós sentimos?
Ela sente?
Sentiu os dinossauros, o brócolis, o mico-leão dourado?
Ela me sente? Sente a Síria, o Líbano, sente Guantánamo?

Não totalmente.
Ela, a vida, assim como nós, sente a si mesma mais intensamente
mais valiosamente, mais cara.

A relação de valor entre a vida e nós 
é diferente da relação entre nós e a vida.

E é isso o que é valor - o peso que tem para cada um.
Individualmente.

Coletivamente não é possível haver um consenso
só um acordo
uma imposição
uma definição vertical
pela impossibilidade de medição
de definição
racional e científica
tal qual o é a sociedade.

Somos pó?
Somos alento?
Somos células? Átomos? Um embrião?
Somos Poeira das Estrelas?
Somos pensamento, uma ideia na mente de Deus?
Somos razão, mente, consideração?

Não sabemos 
Escolhemos a nossa definição
(inclusive o nosso não saber)

Da nossa escolha vem o valor da vida

O valor da vida tal qual nós a definimos
Individualmente

E extrapolamos para os valores sociais
da sociedade que gostaríamos de ter/ser

Eu gosto de pensar que a vida é o mesmo que o sentido dela
O sentido da vida nós o possuímos.
Sabemos o que é,
nós o sentimos em nós, na Natureza.
Percebemos o sentido da vida 
ciclicamente
como as estações do ano, 
como os humores naturais, elementais, temporais.

Eu gosto de pensar que ela não é alguma coisa
É mais como se fosse alguém

Eu gosto de pensar que
a vida é o sentido que preenche tudo
o que existe
e o que não existe também.
Ela é sagrada assim como sagrado é tudo o que existe
e o que não existe também.
Ela é viva assim como é vivo tudo o que existe
e o que não existe também.
Eu gosto de pensar que a vida é maior do que ela mesma
assim como nós.

E gosto de pensar que ela nos possui
assim como nós a possuímos
e que quando nós nos apartamos dela
ela se aparta de nós
e que quando ela se aparta de nós
nós já não a possuímos.


VSO.

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quarta-feira, 17 de maio de 2017

As Laranjeiras em Flor

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Hoje as laranjeiras amanheceram em flor

tudo salpicado de branco

e o perfume se espalhando em derredor.


Hoje as laranjeiras amanheceram em flor

e o perfume

espalhado pelo ar, à distância

mudou aquele pedaço de mundo.


O perfume das laranjeiras que amanheceram em flor

mudou todo o pomar

mudou as ruas ao redor

mudou minha manhã.

Minha mente ficou clara

meu peito relaxou

a alegria me invadiu

tudo pelo perfume das laranjeiras que amanheceram em flor.


Amanhã

se não houver vento forte

elas ainda estarão lá

e novas alegrias me encontrarão.


E depois

quando as flores das laranjeiras se forem

virão

as jabuticabeiras, as jaqueiras, as mangueiras ....



Nunca duvide de que a única coisa realmente importante na vida é o amor dado e recebido. Todo o resto é efêmero, feito de sonhos, ilusão de grandeza de nossa personalidade finita.



VSO.

para Dani - poema de 2011


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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Saúde Mental Social


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Agora, 

passados 16 anos,

e a bipolaridade,
 
eu penso que:

 assim como na vida nós nos percebemos, 

percebemos ao outro,

percebemos o mundo e a vida, 

sempre, 

como opções e caminhos diversos;

assim nos descrevemos a nós mesmos, 

ao mundo, à vida. 

Assim é com a mente. 

Então vamos esperar que aqueles que, bravamente, se dedicam, 

estudam e pesquisam, 

definam e nos deem as tão necessárias 

respostas e definições para:

 O QUE É A MENTE? COMO FUNCIONA A MENTE HUMANA? 

O QUE É O MENTAL? O QUE É O MENTAL HUMANO?

 Esperemos que nos tragam essa definição 

e nos engajemos nós também nessa busca 

assim como buscamos "quem somos nós? de onde viemos? para onde vamos? 

isso aqui é tudo o que temos? tudo o que nos resta?"

Quem somos nós é a nossa questão filosófica fundamental.

 "o que é a mente? 

o que é mental humano? 

o que são pensamentos? 

como pensamos? 

como é e o que sentimos?" 

são as nossas questões fundamentais

 enquanto organismos sociais.

Viver em sociedade é descrever um mundo em comum, 

um espaço social, 

é na rua que a gente se percebe diferente ou igual, 

é no meio de gente, entre pessoas que nos definimos, 

por comparação, por associação e outras medidas, 

sociais todas. 

Até o louco que se mede por medidas próprias é sano, 

plenamente inserido no social e no meio das gentes 

só chama a atenção por sua "genialidade", "criatividade" ...

A psiquiatria atende, ampara, medica e conduz o biológico, o fisiológico, 

aquela configuração do pensar e agir que pode ser tratada, 

dentro dos limites médicos, dentro dos limites 

mas é sempre à partir de uma queixa 

e a queixa é, quase sempre, em primeira instância, comportamental. 

Percebida socialmente e é bom que assim seja, é esse o caminho 

pois há muita loucura naquela parte da mente, 

naquele desconhecido ainda não conhecido, no indecidido, no incognoscível. 

No mistério. 

E é isso mesmo 

o receituário farmacológico psiquiátrico é sim uma bíblia 

e é também um dicionário e talvez venha a ser cartilha.


VSO.


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Imagens by: Google Search 

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Tempo Verbal, Tempo Real

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Futuro do passado = Agora.



Hoje fazem 20 anos da passagem 

do "Cometa" Mamonas Assassinas 

de cá para a Eternidade. 

20 de Março.

Ao vivo, na TV 

mais um documentário-homenagem a eles.

É muito estranho isso ... 

Ver agora pessoas que nem aqui estão mais...

Coisas da tecnologia que para alguns é, ainda hoje, muito difícil de assimilar.




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Futuro do Presente = Sua Presença Aqui-Agora.


A benção que, à despeito de não ter sido ainda definida, 


nós alcançamos a Graça de sentir-conhecer. 



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Futuro

Tempo no qual nos comunicaremos 


e conseguiremos 


nos entender, sem interrupções bruscas, 



sem recolhimentos e sem mágoas.




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Futuro Mais que Perfeito

Nós aqui, 

jantando polenta com molho à bolonhesa 

após terminar esse texto.




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Futuro Imperfeito

é onde estarei se eu tiver que

te explicar o que esse texto significa 

ou o que ele quer dizer.



VSO. 
in memoriam de Gea Athena


quinta-feira, 10 de novembro de 2016

A mente - um órgão dos sentidos



"desse saber esquecido 

de que a mente é um órgão dos sentidos

Quando apreendemos a nossa mente como sendo algo sólido, 

imaginamos naturalmente um "eu" sólido atrás dela 

que a usa para experienciar a vida" 


- O Erudito


E quando a percebermos como um órgão dos sentidos 

temos que nos reconectar, 

de novo e de novo, com o nosso processo de subjetivação do sujeito 

ou ficaremos à mercê da subjetivação alheia, 

aquela que terceiros dizem quem somos 

ou quem não somos, 

quem fomos ou quem seremos.


VSO.



imagem by: Search Google

O Erudito: https://lvsitania.wordpress.com/

VSO: aqui e em https://www.facebook.com/oliveira.vilmasantosescritora/?fref=ts