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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Por um dia sem estupro

Dá para falar de estupro sem falar de sexo? de amor? 
Não. 
E isso faz toda a diferença. 
O estupro não é só violência e crime
é também sexo sem consentimento.

A letra da música Zero
de Liniker e os Caramelows é ótima 
pois ela consegue elaborar a sutileza do crescimento das necessidades individuais 
nos inter relacionamentos. 
A gente realmente fica mordido!!!

Mas e ai? Decepção faz parte do nosso desenvolvimento. 
Aprender a lidar com frustrações faz parte do nosso tão necessário aprendizado.
Mas quem ensina? 
A escola ensina? A família ensina? A sociedade ensina?

A nossa própria natureza nos ensina: 
- aprendemos desde cedo a “lamber as nossas feridas” 
e a “apertar o coração” para caber tudo lá dentro 
afinal nós não somos animais. 
Nós somos o topo do mundo 
e estamos no topo da cadeia alimentar 
e somos os responsáveis por tudo.

Mas decidimos que socialmente temos direitos e deveres 
e temos estado a lidar com esses conceitos
para que não venhamos a ser
como naqueles filmes de ficção científica 
onde as pessoas de um futuro fictício 
tomam medicamentos para “não sentir”, 
para não serem “governadas” pelas emoções.

A Cultura do Estupro é a cultura do social levada aos extremos. 
A sociedade invade a nossa intimidade individual até as vísceras, 
versando sobre o que devemos ou não comer, vestir, como ser e nos comportar. 
O indivíduo social invade uma pessoa, invade outro indivíduo, 
em muitos níveis e graus de violência e/ou sutilezas. 
Sutilezas.

É de sutilezas que o estupro é feito e aceito
e é por sutilezas que ele é justificado por muitxs
Sutilezas como olhares, gestos, roupas ...
e é por sutilezas sociais e familiares que ainda vive 
no seio da sociedade 
no século XXI. 
Assim como sutilezas sociais 
viabilizam a existência de outras violências
individuais, grupais, sociais:
violência policial, milícias particulares, tráfico 
de pessoas, de armas, de entorpecentes.

Sutilezas nos inter relacionamentos. 
Linha cruzada nos sinais sociais. 
Sutileza no trato com a violência sutil. 
E empate na guerra entre animal e humano, 
entre o individual e o social.

A gente fica mordido, não fica?
E quanto a gente aguenta reservar naquele cantinho do coração 
para mágoas e decepções, para rejeições e ignorâncias? 
E se a gente aguenta resistir àquele chamado do orgulho, da virilidade, 
da luxúria, do desejo serão sutilezas que darão permissão ao outro?

Em um inter relacionamento sexual 
quantas vezes a gente tem que resistir ao nosso “toque grosso”, 
ao nosso desejo de “transpassar” o outro 
como se o corpo fosse uma derradeira barreira para “sermos um só corpo e carne”? 
Quantas vezes temos que resistir ao desejo crescente de nos mostrarmos tal qual somos, 
sem ter que fazer “cara bonita” 
à cada sensação que o outro nos proporciona 
ou que proporcionamos a ele?

Onde se aprende a se inter relacionar com pessoas na cama? 
na medina? no templo? nas ruas? na escola? 
Onde se aprende inter relacionamentos sociais mentais? sensoriais? emocionais? racionais?

Só se aprende dentro de si mesmo, 
por acerto e erro, por aprovação e rejeição, por prêmio e recompensa.
E é nesse universo subliminar que o estupro encontra respaldo e até aceitação
para "corrigir", para "restaurar" a moral e os bons costumes

Só se aprende comparando resultados com os resultados obtidos por outras pessoas. Comparativamente. Estimativamente. Secretamente.
Publicamente só os ocorridos em ruas e becos
onde se julga mais o comportamento e a moral dxs agredidxs 
Silenciosa e secretamente ficam a maioria dos que ocorrem 
nas casas, escritórios, igrejas e tantas outras instituições.
E majoritariamente anônimos os que ocorrem dentro
dos relacionamentos social e religiosamente consagrados.

A Psiquiatria Forense versa sobre esse assunto.
Na doença e no crime.
Mas nos relacionamentos entre pessoas
onde entra a questão sexual?
Necessitamos de uma área dessas na Pedagogia e na Sociologia
Necessitamos definir o papel do sexo nos relacionamentos humanos.
Sexo com e/ou sem procriação,
Sexo com e/ou sem definição de gênero.

Precisamos lidar socialmente com as questões 
reservadas para "quatro paredes"
que possuem seus alicerces na ainda desconhecida natureza humana,
a humana natureza que,
herdamos de nossos ancestrais
humanos e animais - nem isso sabemos ao certo
pois quando falamos de sexo 
exaltamos a nossa origem divina
mas só o aceitamos para fins procreativos.

Para machos e fêmeas sexo é regido por hormônios, procriação e cio, 
adaptação e conservação da espécie 
e uma ou outra sutilezas referentes às espécies.

Para homens e mulheres o sexo é um pouco mais complicado 
pois além dos hormônios, do desejo e da procriação
acrescentamos sentimentos, sensorialidades, emoções
e toda a gama de aspectos individuais, familiares e sociais
da natureza e da psiquê humana que levamos conosco
em cada inter relacionamento.

E há aqueles para quem sexo não é uma questão 
É um encontro entre duas pessoas, 
um inter-relacionamento sem compromisso 
de tempo nem de idade.
onde a questão “nossas diferenças” já foi resolvida e aceita

Estupro é crime e é um problema social.
Sexo sem permissão é dolo, é crime e é um problema social.

O estuprador é um estuprador ao praticar o crime
e não ao comprar o pão na padaria,
ao depositar seu salário na sua conta empregatícia
ou ao receber a sua passagem no ônibus.
É neurótico? Sim!
A sociedade é neurótica também
quando finge que não vê o que anda pelas ruas
quando classifica aquilo que vê
e quando ignora e/ou segrega aquilo que existe
e que as ruas estão mostrando.

A SOCIEDADE NECESSITA CRIMINALIZAR O QUE CRIMINALIZA O INDIVÍDUO.

ASSÉDIO É CRIME.

SEXO SEM CONSENTIMENTO É CRIME.

ESTUPRO É CRIME.

INDEPENDENTE DO GÊNERO DA PESSOA.

POR UM DIA SEM ESTUPRO!

VSO.
in memoriam de Dandara



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quinta-feira, 6 de abril de 2017

Peregrina

Resultado de imagem para a presença da Presença


Desde sempre existo dentro de mim
Desde sempre existo dentro de ti
Desde sempre existo dentro de nós.
Desde sempre sou aquela que vos fala.
e não me escutas


Agora que seus ouvidos se abriram um pouco
tens medo de mim.
Ouves meus sussurros,
um falar mansinho,
um cochichar quase silencioso


Tu me ouves e não me conhece.
Sou infantil, sábia, ponderada.
Sou disléxica, apressada, agitada.
Sou uma voz com jeito de criança.
Sou sussurro, assombro, sou escuta.


Sou fria, quente, machucada,
Sou maluca, insana, desleixada.
Sou agitada, mandona, vingativa.
Sou você, seu pai, o seu amado.
Eu sou sua?
Eu sou amada, temida, detestada?
Eu sou implantada? desconhecida? mau-amada?


Eu sempre fui e nem me ouvias
agora me ouves, me temes e/ou me idolatra.
Me procuras fora quando estou dentro,
dentro ou fora eu nada sou. Nunca me ouvistes.
Me percebes agora?


Tu tens medo e me controla
nada posso naquele que me teme
nada posso naquele que nada faz
O medo de ti me esconde e te esconde de mim.
O controle só te controla.


Numa nave pensas que existo,
num altar tu me colocas,
serei deserto ou serei nada
serei mármore, frio, minha Morada.


Eu sou a porta tu és a chave - entra por mim.
Tu és a chave eu sou a porta - abre-te enfim.


Sou Deus, Odin, Javé?
Sou Mirim, Criança, Encantado?
Eu sou Luz, sou Sol, sou Luar ou nada sou?
Sou Ayahuasca, Soma, Néctar Sagrado?
Sou a Voz dos Esquecidos, dos Danados, dos Perdidos?
Eu sou Verbo, só Palavra?
Não tenho rosto, sou controlada?
Sou virtual e nem existência tenho?
Se sou você eu nada sou?
Eu sou Encantada,
Racionalizada,
Apaixonada,
Eu sou Consciência, sou Razão e sou o Nada.
Sou do Vazio, das Trevas, sou do Além.


Tu não me conheces então não me reconheces.
Tu não me escutava então não me reconhece agora.
Eu Sou 
eu sou eu
se me amas eu sou espelho
se não me aceitas eu sou sombra
e vivo nas sombras, em trevas eu existo
e vivo na luz, no seu brilho eu existo
e eu quem sou? eu sou alguém em ti?
sem tu eu sou alguém? sou importante?


Se houver silêncio, se houver vazio,
Se vontade houver e não dizeres nada,
poderemos nos conhecer
Assim como os viventes se conhecem,
um pouquinho por vez, sem medo nem nada
Medo é bom mas também assusta.
Por acaso não temes o que já conheces?
Na Natureza nada é seguro,
tudo nasce, cresce, morre.
Assim eu que sou também vivente.
Acaso pensas que és livre, que nada te controla?
Assim sou eu que controlada sou por muitas coisas,
inclusive amizade, amor e raiva,
conceitos, dizeres e ameaças.


Assim sou eu que também sou ativa, passiva, cativa
e se cativados formos, um pelo outro
o outro pelo um então saberemos quem somos
individualmente, um para o outro.


Imagem relacionada


Então, se queres, podes me chamar assim:
Presença Subliminar, Deus em Ação,
Voz da Inconsciência, Sistema Reptiliano,
Sibila, Eva do Paraíso, Serpente Encantada.
Podes me chamar de Lila, de Samaúma
Podes me chamar de Feminino, de Magoada.
Podes me chamar de Masculino, de Encantado.
Quando me chamas de um nome sem a mim me conhecer
como saberás que sou eu atendendo o seu chamado?


Podes nem reparar na diferença e sempre me chamar
de palavras terminadas em a, o teu feminino
Podes nem reparar na diferença e sempre me chamar
de palavras terminadas em o, o teu masculino
Podes nem reparar na indiferença, na inexistência
e me chamar de x - a incógnita 
de X - o cerne da questão central,
Podes me chamar de extra humano, de Meta,
de inorgânico, de qualquer
Podes nem reparar na diferença nem na indiferença
e me chamar mas se não me conheces não me alcançará
e invisível sempre serei e tu não me verás
nem pressentirás, nem sutilmente.


Se sou Escuta então eu sou alguém para ti,
alguém audível é uma presença real?
aquilo ou alguém que ouves é material para ti?
ou só consideras e atentas para aquilo ou aquele
que conheces a origem?


Se sou Silencio ainda não me podes ouvir
mas me consideras, ponderas, ouves? tu me sente?
tem valor para ti o que só entendes dentro de ti?
o que apreendes no interior da alma?


Se sou Subliminal então há esperança para nós
quase-sentir é quase ser definido,
quase-querido é o mesmo que quase-rejeitado?
tu buscas entender e conhecer o que ti inquietas?


Se sou Presença tu já me sentes
então já reages, já atua. já tem opinião sobre mim,
já toma partido e já se põe em ação?
e não sabes quem sou eu? e não queres saber?


mas se sou Sistema, Matrix, Shambhala ou Zion
Tu só saberás se nos conhecermos
consegues me isolar, definir, me retirar do coletivo?
Se sou Entidade, Egrégora, se sou Multidão ou Egrégia
sabes tudo sobre mim e não me quer conhecer?
conheces o muito que além da soma é cada uma das partes?
me quer conhecer, comigo conviver, me deixar existir?



Se nos identificarmos, um ao outro, o outro ao um
como o fazem todos que não se conhecem,
então saberemos quem somos.


e se somos alguém, um para o outro.
se somos cativos, amigos, amantes
saberemos se fomos alguém, um para o outro


E conheceremos e planejaremos e desejaremos ou não
vir a ser alguém, um para o outro.

Mas saiba que os surdos não ouvem e me conhecem
Os cegos não tem visão e me conhecem


Saiba que o medo condiciona o ser
Saiba que o destino do velho é conhecer o novo
e o destino do novo é ir além do velho.


Agora me ouves.
Agora me verás.
Cabe aos sistemas nossos a isso tudo organizar
e a cada um de nós entender e aceitar
que a parte ainda não é o todo e que o todo é
cada uma das partes em si
e ele em um todo.


Se nós somos uma legião de saberes e sentires
se nos organizamos num todo harmônico
conhecer-se é mais do que fragmentar-se
e expor-se. É relacionar-se

Se tu abandonas o medo e guarda o receio
tu me podes conhecer e eu de ti ter receio.
Se tu abandonas o julgamento ninguém me haverá de julgar
e se tu me cativar no seu todo eu hei de estar
e parte de mim então tu serás.


terça-feira, 4 de abril de 2017

Nós somos inteligências!



Pode ser que alguém fique chocado. 

É normal. 

A pergunta crucial e que está plenamente inserida nesse momento é: 

o que fazemos com aquilo que nos choca?

Acredito que seja essa a questão pertinente.

O que faço com as coisas que eu não aceito?

E há outra:

Me cabe conjugar o verbo aceitar em relação à sociedade na qual vivo,

viventes que somos nesse condomínio estelar?


O mundo muda a toda hora

Economicamente isso é positivo,

valorizado e incentivado. 

Gera divisas.

Pessoalmente não?

Foro íntimo, Foro coletivo.

Vale para mim. Não vale para o outro.


Jovens Sem Fronteiras só existem em um Mundo Sem Fronteiras

Médicos Sem Fronteiras

Assistência Sem Fronteiras

Não dá para não pedir 

que se defina o que está sendo falado;

não é questão de superioridade intelectual

ou de inclusão social - 

é uma necessidade,

uma necessidade social

cultural e linguística.


Defina sexo. 

Defina gênero.

Defina assédio. 

Defina Família. 

Defina Sociedade.

Defina privilégio.

Defina direito social.


Não dá mais para usar 

algumas palavras 

com algumas pessoas

*

O que faremos?

*

Temos que resolver urgentemente

essa questão de relacionamento

interpessoal, coletivo.

Socialmente resolver

as questões de inclusão e acessibilidade

e

definir foro.

Foro íntimo. Foro social.

Questões públicas.

*

E poderemos então passar a nos 

ocupar, a nos pre_ocupar

com

as questões mais novas

que são ainda variações sobre o mesmo tema:

Gênero, Inserção e Acessibilidade.

Dos que vivem

fora

desse 

azul

e

belo

condomínio

estelar.

*



Resultado de imagem para Inclusão e Acessibilidade social tags


*



No dia Internacional de Luta Contra LGBTfobia, 

a Prefeitura de Providencia (Chile), 

junto com a Fundación Transitar, 

 produziram um vídeo falando da realidade cotidiana 

das crianças trans. 

assista ao vídeo em: 

https://www.facebook.com/midiaNINJA/videos/651214011703414/

*


Resultado de imagem para Somos inteligências


*


Texto de Vilma dos Santos de Oliveira - VSO. 
Tatuí, 04 de Abril de 2017

Imagens by: Google