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quinta-feira, 14 de junho de 2018

Exaustão emocional, a consequência de tentar ser forte a todo momento

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A exaustão emocional é um estado atingido pela sobrecarga de esforço. Neste caso, não falamos apenas de excessos de trabalho, mas também de assumir conflitos, responsabilidades ou estímulos emocionais ou cognitivos.

A exaustão emocional não vem de um momento para outro. Trata-se de um processo que ocorre lentamente, até que haja um ponto em que a pessoa entra em colapso. Essa quebra a submerge em paralisia, depressão profunda ou doença crônica. Ocorre um colapso na vida da pessoa, porque ela literalmente já não aguenta mais.

“Nada pesa tanto quanto o coração quando está cansado”.

- José de San Martín -



Embora a exaustão emocional seja sentida como cansaço mental, geralmente está acompanhada de uma grande fadiga física. Quando isso acontece, há uma sensação de peso, de incapacidade de seguir em frente. Caímos, então, em uma inércia da qual é difícil sair.




As causas do esgotamento emocional

O esgotamento emocional se origina porque há um desequilíbrio entre o que damos e o que recebemos. Aqueles que são vítimas disso dão tudo o que podem de si mesmos, seja no trabalho, em casa, no relacionamento ou em qualquer área.

Em geral, isso ocorre em áreas onde há uma grande exigência, que por sua vez, aparentemente, exige grandes sacrifícios. Por exemplo, em um trabalho onde há um alto risco de demissão. Ou em uma casa cujos membros estão cheios de problemas e exigem atenção. Também quando temos um relacionamento conflituoso ou com sérias dificuldades.

O comum é que a pessoa exausta não tenha tempo para si mesma. Tampouco recebe reconhecimento, carinho ou consideração suficiente. Espera-se que ela se “renda” o tempo todo. Como se não tivesse necessidades, ou como se fosse mais forte que o resto e pudesse aguentar tudo.

Os primeiros sintomas de exaustão

Antes que apareça a exaustão emocional propriamente dita, há algumas indicações que a anunciam. São sinais aos quais, em geral, não são dados muita importância. Se os notarmos, as medidas podem ser tomadas a tempo.

Os sintomas iniciais da exaustão emocional são:

Cansaço físico. A pessoa se sente cansada com frequência. A partir do momento em que abre os olhos, sente como se fosse extremamente árduo o que a espera no dia.

Insônia. Por mais contraditório que pareça, uma pessoa com exaustão emocional apresenta dificuldade para dormir. Sempre tem problemas aos quais dedica tempo demais e que fazem com que seja difícil pegar no sono.

Irritabilidade. Há desconforto e perda de autocontrole com certa frequência. A pessoa exausta parece mal-humorada e é muito sensível a qualquer crítica ou gesto de desaprovação.

Falta de motivação. Quem sofre de exaustão emocional começa a agir mecanicamente. Como se fosse obrigado a fazer o que faz o tempo todo. Não tem entusiasmo ou interesse em suas atividades.

Distanciamento afetivo. As emoções começam a ficar cada vez mais planas. É como se, na verdade, a pessoa não sentisse praticamente nada.

Esquecimentos frequentes. A saturação de informações e/ou estímulos leva a falhas na memória. Esquecem com facilidade as pequenas coisas.

Dificuldades para pensar. A pessoa se sente confusa com facilidade. Cada atividade implica um gasto maior de tempo do que antes. Raciocina lentamente.


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As saídas para a exaustão emocional

A melhor maneira de superar a exaustão emocional é, naturalmente, descansando. Você tem que encontrar tempo livre para relaxar e ficar calmo. As pessoas que se exigem muito passam anos sem, por exemplo, tirar férias. Isso não pode acontecer. Mais cedo ou mais tarde, só leva à fadiga. Então, uma boa ideia é tirar alguns dias para dedicar ao descanso.

Outra solução é trabalhar para construir uma atitude diferente diante das obrigações diárias. Cada dia deve incluir horários para dedicar aos compromissos e também momentos para descansar e realizar atividades que sejam gratificantes. Devemos deixar de lado as obsessões de perfeição ou realização.

Finalmente, é muito importante nos sensibilizarmos com nós mesmos. Para isso, nada melhor do que dedicar um momento a cada dia para ficarmos sozinhos. Respirar, nos reconectar com o que somos e com o que desejamos. É fundamental desenvolver uma atitude de compreensão e bondade com nós mesmos. Caso contrário, mais cedo ou mais tarde, será impossível seguir adiante.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa




Imagens by: Search Google

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Temor

Existe em nós um campo infinito de possibilidades cognitivas
que chegam nos chegam através de sentimentos e emoções,
um INCONSCIENTE EMOCIONAL COLETIVO.

sabemos de muitas coisas que não são realmente um conhecer
são mais propriamente um sentir indefinido, algo real, possível
mas que nunca nos aconteceu, algo que só vimos acontecer
ou que soubemos que aconteceu com outra pessoa
um "conhecimento televisivo" que torna a tragédia possível, provável.

nesse infindável oceano de pressentimentos 
está toda a história emocional da humanidade:
pesadelos, tragédias, histórias de horror e de atrocidades mil
dos feitos da humanidade e com a humanidade, 
naturais e sobrenaturais
conhecidos e desconhecidos.

o temor é irmão da angústia, primo do desespero
companheiro da indefinição
parente próximo e indesejado
do amor e da alegria.

Nessa canção de Chico Buarque de Holanda pode-se ver
ou melhor, pode-se pressentir
de que são feitos os temores, os pressentimentos:
de angústias não elaboradas, de sentimentos não estatísticos
suficientes para se tornarem em saberes emocionais
insuficientes para serem conhecimento pessoal, próprio,
racional.

No Inconsciente Emocional Coletivo estão as realidades possíveis
prováveis ou improváveis, infinitas
de um dos alicerces da realidade humana - o emocional
e pode estar também o fiel da balança - aquele que a fará pender
para um lado ou outro
na escolha eterna
das possibilidades
possíveis e prováveis.

Mulheres de Atenas
(Chico Buarque / Augusto Boal)

Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Vivem pros seus maridos, orgulho e raça de Atenas
Quando amadas, se perfumam
Se banham com leite, se arrumam
Suas melenas
Quando fustigadas não choram
Se ajoelham, pedem, imploram
Mais duras penas
Cadenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Sofrem por seus maridos, poder e força de Atenas
Quando eles embarcam, soldados
Elas tecem longos bordados
Mil quarentenas
E quando eles voltam sedentos
Querem arrancar violentos
Carícias plenas
Obscenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Despem-se pros maridos, bravos guerreiros de Atenas
Quando eles se entopem de vinho
Costumam buscar o carinho
De outras falenas
Mas no fim da noite, aos pedaços
Quase sempre voltam pros braços
De suas pequenas
Helenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Geram pros seus maridos os novos filhos de Atenas
Elas não têm gosto ou vontade
Nem defeito nem qualidade
Têm medo apenas
Não têm sonhos, só têm presságios
O seu homem, mares, naufrágios
Lindas sirenas
Morenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Temem pro seus maridos, heróis e amantes de Atenas
As jovens viúvas marcadas
E as gestantes abandonadas
Não fazem cenas
Vestem-se de negro se encolhem
Se confortam e se recolhem
Às suas novenas
Serenas
Mirem-se no exemplo daquelas mulheres de Atenas
Secam por seus maridos, orgulho e raça de Atenas.


Navegar nessas águas
longe de ser um tormento, um desespero,
é levar luz à escuridão desse tenebroso mar
é levar definição a essas águas turvas e agitadas.

Tornar possível e provável uma determinada realidade
passa por elaborar conscientemente
e com afeto
todas as possibilidades emocionais;

lançar um temeroso (e respeitoso) olhar
às angústias, temores e aflições
que nos afligem ainda
como realidades possíveis que são.

Tornar possível e provável uma determinada realidade
passa por considerar como válidos e reais esses pré sentimentos
validando assim um passado emocional -
que é o passado emocional de toda a humanidade terrestre -
e fazer escolhas diferentes
com outras possibilidades
tão possíveis e prováveis quanto.

Pré sentir é anterior ao sentir
que é anterior ao pensar
que é anterior ao fazer
que é anterior ao ser.

Ser a diferença
passa por fazer escolhas
que contenham a diferença que se quer ser.

VSO.

ATOS. 03 de Janeiro de 2018 Dc.



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Letra da Canção: 

Imagem: 

terça-feira, 18 de abril de 2017

Saudade!



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Eu entendi isso também.

Tinha traduzido saudade como dor.

E é dor também.

Aquela dor que se sente no membro que já não se possui.

Uma amputação...

Mas porque será?

Nada se vai realmente ...

só muda de endereço

e alguns são bem longe

e outros bem inacessíveis agora

...

Pensei também que saudade é algo que se sente na hora da separação

então, no momento anterior, estávamos juntos

...

Então saudade é dor de arrependimento

Arrependimento por não ter percebido

A presença.

Não há perda na saudade.

O que há é ausência.

VSO.



Imagem by: Google Search

Luto II

Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que ig... Frase de Ariano Suassuna.

REFLEXÃO EM FOCO - O que resta [ará] de nós?
texto de Talita Guimarães - Ensaios em Foco

“Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre. 
O que posso fazer agora? 
Somente seu enterro e rezar por sua alma.”
(Chicó em O Auto da Compadecida, obra de Ariano Suassuna)


Um dia você acorda e a primeira notícia que recebe é que alguém 
de quem gosta muito já não respira mais. 
Aí quem perde o ar é você, 
sufocado pela dúvida de como continuar vivo 
sabendo que alguém querido já não estará mais presente.

A morte caminha lado a lado com a vida 
e custamos muito a nos dar conta disso. 
Como se estivéssemos falando de um mal distante, 
tratamos a morte que vemos diariamente nos noticiários 
com a consciência de quem acredita 
que terá a chance de marcar a própria hora. 
Como se tivéssemos algum controle sobre o tempo que nos é dado... 
Isso para não falar do quanto desperdiçamos o convívio, 
do quanto sonhamos com futuros que podem não estar ao nosso alcance, 
do quanto dizemos não e empurramos para depois 
a vida que deve ser sentida a cada instante e não apenas planejada ano a ano. 
Volto ao início, à dúvida sufocante que surge quando vemos o tempo 
de alguém se esgotar irremediavelmente e me pergunto: 
estaremos vivendo muito mais em função 
de um tempo que ainda não nos foi dado? 
E o tempo que nos é dado de convivência com outros? 
O que nos resta quando pessoas que amamos vão embora antes de nós? 
“Somente seu enterro e rezar por sua alma”, 
como se resigna o personagem do genial livro do paraibano Suassuna? 
Haverá entre nós, a capacidade de deixar mais de si aos outros, 
aproveitar melhor o tempo presente? 
Como a tristeza que a morte traz pode se converter 
na consciência passageira 
de que não sentiremos mais o prazer da companhia gostosa 
da pessoa querida?

A morte lança mais perguntas sobre a existência do que a própria vida.

Esta semana perdi um tio. 
Há um ano e sete meses perdi minha avó. 
No mesmo período, a cultura perdeu Mestre Antônio Vieira. 
Falo em perder porque é esse o sentimento que surge 
quando alguém morre. 
Perdemos a presença, os sorrisos, os abraços, a voz, 
e a admiração ainda que silenciosa do jeito de ser das pessoas. 
Mas perdemos principalmente a chance 
de viver mais e melhor na companhia de quem se vai. 
Infelizmente, é a perda quem muitas vezes mostra 
o quanto alguém faz falta. 
Por isso a morte traz dor incalculável para a consciência. 
Choramos a ausência de uma segunda chance. 
Lamentamos o que não tem mais jeito. 
O que poderia ter sido e não foi. 
Culpamos a dinâmica da vida 
quando o erro é resultado das ações de quem vive.

Por tudo isso, não sou pessimista em relação à morte. 
Sou preocupada com os vivos. 
Com a forma como as pessoas vivem, 
as relações que estabelecem, 
as escolhas que fazem e que nunca dizem respeito apenas a elas. 
Afinal, as lições da humanidade não tem ensinado 
uma independência que possa planejar com absoluta certeza 
a hora de cada um deixar este mundo 
assegurando a felicidade de quem fica. 
Vivemos arriscando no escuro, 
no tempo que não temos. 
Ignoramos a margem de erro.

Na hora da morte é que vejo a importância da consciência em torno da vida. 
Quem morre, descansa. 
Quem vive, sofre. 
Mesmo sabendo que a morte é tão natural 
quanto o nascimento, sofremos a cada partida. 
Sendo assim, o que dizer para consolar 
alguém cuja dor parece mesmo incalculável? 
Coloquei-me diante desta questão a fim de resolvê-la. 
Sou altruísta. 
Não queria que a pessoa que ficou sofresse a dor inconsolável da perda. 
Queria poupá-la da inconformação, 
da revolta, da solidão. 
Conheci à perda da avó, 
a dor incalculável, revoltante, inconsolável 
e tive de buscar conforto sozinha. 
Não queria, desta vez, 
saber de alguém tendo reação parecida.

Penso que é a vida quem dignifica a morte. 
A mobilização diminui o sofrimento. 
O abraço conforta o corpo, 
o pensamento compartilhado, a alma.

Para tanto, precisei lembrar-me de apenas uma frase, 
sabiamente colocada por Antoine Saint-Exupery 
“Aqueles que passam por nós não vão sós, 
não nos deixam sós. 
Deixam um pouco de si, 
levam um pouco de nós”.

Curiosamente, há pouco tempo, conversava com uma amiga 
sobre o que as pessoas significam depois que morrem. 
Comentávamos o que cada um de nós é capaz de deixar 
às pessoas que vivem conosco. 
Perguntávamos-nos, a título de reflexão, 
o que deixaríamos hoje ao mundo caso partíssemos. 
Pendências ou boas lembranças? 
A certeza dos grandes amigos que fomos 
para quem pode desfrutar de nossa amizade 
ou a imagem de jovens que planejavam feitos promissores 
para um futuro que nunca chegaria? 
Feitos que não passariam de promessas, 
no caso de uma partida, 
assim, 
aparentemente do nada.

Lembrando do trecho de “O Auto da Compadecida”, 
quando o Chicó (interpretado espetacularmente no filme por Selton Melo) 
diz que a morte é um mistério do qual ninguém escapa, 
irremediável, 
porque tudo que é vivo morre, 
penso com mais certeza que enquanto estamos vivos 
é que precisamos pensar mais 
na forma como vivemos e nas escolhas que fazemos 
sem deixar passar as chances, os momentos, 
enfim, a vida que merece ser vivida. 
Para que além de aproveitarmos cada segundo 
"como se não houvesse amanhã" sejamos capazes de partir 
na hora que a matéria tiver de morrer sim, 
mas sem que a alma, a essência da vida, 
se perca junto. 
Porque sempre há quem fique e sinta 
que um pedaço de si já não existe mais. 
Mas se nesse momento, quem ficar 
sentir que enquanto vivos, tivemos momentos que valeram a pena, 
talvez a dor dos vivos em relação a morte 
não seja mais tão devastadora.

Quem somos e o que fazemos hoje, agora? 
Olhemos então para o que já deixamos para trás, 
o que já marcou nosso tempo de vida até hoje. 
O que ainda há para fazer? 
Quantos abraços, sorrisos, palavras e vivências 
ainda temos para dar às pessoas? 
O que ainda nos falta aprender, ensinar? 
Não há como saber quanto tempo ainda teremos. 
Chego a conclusão que este sim é o mistério. 
O desafio que separa a graça da vida da dor da morte.


Imagens by: Google Search


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segunda-feira, 17 de abril de 2017

Tempo passado

Eu passei.

Passou. 

Nem seu nome deixou... 

Por onde andei, por onde andou, 

só a dor ficou.

Tento avaliar, 

validar as horas passadas 

mas torno a nós... 

Parece que nesse local não se permanece muito tempo são. 

A consciência se esvai... 

Deixo de ser eu... 

Deixas de ser você... 

E em nós não há o que fazer,

Nós é tempo... 

Tempo passado... 

Tempo futuro ...


VSO.







domingo, 2 de abril de 2017

De ontem

No outro dia eu vi o mar
De um lado a vida cheia de alegria e dor
Riqueza.
Do outro lado eu vi a vida ainda por ser vivida
A vida dos pequenos, dos grandes compromissos
E chorei.
Eu estava no meio, entre os dois caminhos
No meio entre o dever e a dor
A obrigação e a riqueza.
Dividida entre coração e coração.
De um lado o fim do caminho
Do outro lado o caminho do começo e não havia escolha.

Não é estranho quando a metáfora é tangível?
Metáfora viva é muito estranho.
Bastaria ter seguido em frente?

Não saberei jamais
Pois fui em frente, voltei para onde eu ia
Acho que nem era real
Acho que naquele instante vi um futuro num relance
um por vir, um seria

Havia muitas lágrimas naquele dia
E pude vê-las todas não como dores que seriam
Mas como rios que formavam
E para chorar as que não eram minhas
Minhas se fizeram
E para chorar as que não eram
minhas se fizeram

Eu vi histórias e águas se misturarem
e se tornarem uma só.
O mar.

VSO. in memoriam de Storm



Você não é uma gota no oceano. Você é o oceano inteiro em uma gota - Rumi

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Sua Presença no Aqui Agora




Corpo de Morte.

quem é ele?

A pessoa. O corpo físico, talvez,

que “é pó e ao pó retorna”.



E onde é o lugar da morte?

O chão, a terra, 

“a argila na qual fomos moldados e à qual retornaremos.”



O que mais morre além desse espetacular corpo físico?

O que mais morre além dos abraços, afagos e beijos?

O que mais morre além do som da voz 

com todos seus tons e sutilezas sonoras?

Suas sutilezas sonoras...



O que mais morre além de todas as referências físicas 

de sua existência real?

Suas referências físicas... 

Sua existência real...



A real existência de alguém possui um corpo de morte ...

A real existência de alguém é mais do que o corpo de morte ...

Ensinam-nos isso nos templos, igrejas e sinagogas.

Nas escolas...



Ensino não formal, não científico.

De científico só o corpo físico e suas interações neurofisiológicas.



Quando o corpo de morte se vai 

o que fica? 

quem fica?



Hoje sabemos que algo fica. 

Persiste além do corpo físico. 

Além do fogo fátuo.

Além de ossos, cinzas e água sabem que algo fica. 

Um saber sub reptiliano talvez...

O que fica? A alma, o espírito ...



 Nós?

“Em Nós todos nós permanecemos”.



Mas...



Além de você, além de seu corpo, o que sei de você?

Além do nosso contato, nossos beijos e abraços, conversas, 

encontros e desencontros,

O que sei de Você? 

O que sei de você além do seu rosto, do seu toque, do seu tom?

Eu não te conhecia antes, 

mas reconhecia você por sua presença.

Sua presença física. 


E hoje penso que te reconheço.



Parece que te reconheço num sorriso aqui, numa fala lá, num gesto acolá.

Parece que reconheço sua presença, seu “estar entre nós”.




Poesia boba essa minha. Tolice!

Os poetas sempre entenderam de almas e espíritos.

Não, não é tolice... Nem minha nem dos poetas.

Poetas foram sempre visionários, bêbados, drogados... 

 Visionários

sem crédito. 

Românticos 

Incuráveis 

Que enxergam muitas luzes.

Ou sombras demais.



Visionários.



Mas aqui, nesse verso, 

em prosa e sem rima;

eu queria mais do que isso,

eu queria falar de você como alguém que ainda é,

além do que já foi.



Mas, infelizmente, para falar de sua continuidade,

a que penso que sei, 

a que penso que conheço, 

a que às vezes reconheço

só posso faze-lo em versos, rimados ou não,

mas sempre, sempre metafóricos.


Sua presença, eu sei, está no meio de nós.

Além do que foste,

além do que jaz.

Além do Passado vivido em conjunto, 

guardado em esparsas lembranças .



Para você, no Aqui e no Agora. 

Minhas sinceras desculpas. Nossas mais sinceras desculpas.

Por não nos reconhecermos por tanto tempo.





Tudo mudou no mundo. O mundo mudou.

O que não cabia no mundo ainda não cabe no mundo, 

com a diferença que, hoje, metaforizar ficou mais fácil 

e mais perto da realidade compartilhada com todos.

Há mais do que o sangue para se falar de alguém. 

Algo além do corpo de morte.

Você e eu temos que nos acostumar a isso.



A Sua Presença no Aqui e Agora.



A Minha Presença no Aqui e Agora.






A partir de Agora temos que estender nossos relacionamentos

para além da subjetiva dor...


Para além do subjetivador...


Para além das fronteiras internas ...


Para além das fronteiras externas ...


Para além da subjetiva realidade  de cada um...


Para além do tempo... e do espaço.


VSO.


Sentimientos entre los silencios del Alma: LA AMISTAD
A Toca da Oliveira Santa, Jurumirim/Tatuí/SP. – 31.07.2016/21:59












Alma!Deixa eu ver sua almaA epiderme da almaSuperfície!Alma!

Zélia Duncan





fontes:

Poesia/texto: https://www.facebook.com/oliveira.vilmasantosescritora/

Zélia Duncan canta - Alma: 
https://www.youtube.com/watch?v=yUqxiSE-wpY 
https://www.vagalume.com.br/zelia-duncan/alma.html


Imagens: Search Google












segunda-feira, 11 de abril de 2016

A Cara da Alma

Cara bonita é coisa feia de se ver. 

Cara feia é bonito de ver.
A alma cala. A dor não sara.


Se a dor sarou porque a cara não consertou?


Dizem que a carne não conserta as marcas da dor, 
nem da alegria também. 
Se não tem conserto porque se usa o verbo consertar?


Cara bonita é tão manjada que todo mundo sabe que é feia. 
Se feia é porque ainda chama "cara bonita"?


E cara feia o que é?
Cara feia é cara de quem mostra fora o que tem dentro.
É feio isso?


No fim só sabe mesmo a razão do certo/errado, bonito/feio
quem mostra a cara 
E quem bate na cara de quem mostra a cara 
é uma pessoa muito feia e deseducada.


Agora, eu, perdi esse tempo na poeira da estrada.
Aprendi isso quando já tinha muitas marcas no rosto
Então hoje, quando mostro a cara, alguém sempre me fala:
Que cara feia é essa menina?


E eu digo:
"Meu lindo rosto, feito do que a vida fez comigo 
e do que eu fiz com aquilo que a vida me fez."
E eu me acho linda. Mais por dentro do que por fora.


É que cirurgia não é mesmo uma das minhas primeiras prioridades.
Tenho andado muito ocupada
arrumando dentro umas coisas 
muito feias de se mostrar por fora


E, por hora, nem sei mesmo se são
Cem por cento minhas 
tantas marcas
Penso que vivi tão pouco para ter tantas marcas ...


A aprendi na vida que quando dentro há sol brilhante
e luz da aurora
A cara brilha, as marcas somem 
e a dor
realmente sara.