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terça-feira, 16 de maio de 2017

Pertencimento

Preciso hoje definir a palavra pertencimento.

O que significa pertencer à uma pessoa?

O que significa pertencer à algum lugar?

O que significa pertencer à uma família?

O que significa pertencer à um grupo?


Pertencimento me parecia ser

reconhecer a minha presença

em alguém, em algum lugar ...

Mas será mesmo?

Isso de me ver refletida em alguém,

em algum lugar,

não diz mais respeito à mim do que ao outro?


Preciso de uma palavra

que defina

o fazer parte de algo e/ou de alguém

do outro para mim

e não ao contrário

de mim para o outro

como sugere a palavra pertencimento.


Encontrei a palavra descaber

como antônimo de pertencimento

e encontrei também

individualismo

e exclusão.

Essas palavras são boas 

estão no sentido da minha busca

falam do outro em relação à mim

elas me dizem aonde ou em quem

eu não caibo.


Individualismo também não me serve

ele significa o movimento contrário

ao que busco

e adjetiva uma opinião do outro

em relação à mim.


Exclusão talvez sirva

depois que a palavra que busco ter sido encontrada

pois exclusão fala de futuro e de passados.


Preciso de uma palavra que signifique

debalde todos os sinais

e discursos

que eu não faço parte

do outro (do ponto de vista dele)

e/ou de algum lugar


E exclusão me parece ser

no momento

uma palavra apropriada

pois se eu pertencesse

sei a diferença que seria

eu a reconheceria.


Pertencimento é o que necessito

no momento

me ver refletida no outro

em alguém

nesse lugar


Pertencer 

Não por que eu me vejo

mas por que o outro me reflete.


VSO.




Resultado de imagem para pertencimento e exclusão




terça-feira, 18 de abril de 2017

Luto II

Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que ig... Frase de Ariano Suassuna.

REFLEXÃO EM FOCO - O que resta [ará] de nós?
texto de Talita Guimarães - Ensaios em Foco

“Cumpriu sua sentença e encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca de nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo morre. 
O que posso fazer agora? 
Somente seu enterro e rezar por sua alma.”
(Chicó em O Auto da Compadecida, obra de Ariano Suassuna)


Um dia você acorda e a primeira notícia que recebe é que alguém 
de quem gosta muito já não respira mais. 
Aí quem perde o ar é você, 
sufocado pela dúvida de como continuar vivo 
sabendo que alguém querido já não estará mais presente.

A morte caminha lado a lado com a vida 
e custamos muito a nos dar conta disso. 
Como se estivéssemos falando de um mal distante, 
tratamos a morte que vemos diariamente nos noticiários 
com a consciência de quem acredita 
que terá a chance de marcar a própria hora. 
Como se tivéssemos algum controle sobre o tempo que nos é dado... 
Isso para não falar do quanto desperdiçamos o convívio, 
do quanto sonhamos com futuros que podem não estar ao nosso alcance, 
do quanto dizemos não e empurramos para depois 
a vida que deve ser sentida a cada instante e não apenas planejada ano a ano. 
Volto ao início, à dúvida sufocante que surge quando vemos o tempo 
de alguém se esgotar irremediavelmente e me pergunto: 
estaremos vivendo muito mais em função 
de um tempo que ainda não nos foi dado? 
E o tempo que nos é dado de convivência com outros? 
O que nos resta quando pessoas que amamos vão embora antes de nós? 
“Somente seu enterro e rezar por sua alma”, 
como se resigna o personagem do genial livro do paraibano Suassuna? 
Haverá entre nós, a capacidade de deixar mais de si aos outros, 
aproveitar melhor o tempo presente? 
Como a tristeza que a morte traz pode se converter 
na consciência passageira 
de que não sentiremos mais o prazer da companhia gostosa 
da pessoa querida?

A morte lança mais perguntas sobre a existência do que a própria vida.

Esta semana perdi um tio. 
Há um ano e sete meses perdi minha avó. 
No mesmo período, a cultura perdeu Mestre Antônio Vieira. 
Falo em perder porque é esse o sentimento que surge 
quando alguém morre. 
Perdemos a presença, os sorrisos, os abraços, a voz, 
e a admiração ainda que silenciosa do jeito de ser das pessoas. 
Mas perdemos principalmente a chance 
de viver mais e melhor na companhia de quem se vai. 
Infelizmente, é a perda quem muitas vezes mostra 
o quanto alguém faz falta. 
Por isso a morte traz dor incalculável para a consciência. 
Choramos a ausência de uma segunda chance. 
Lamentamos o que não tem mais jeito. 
O que poderia ter sido e não foi. 
Culpamos a dinâmica da vida 
quando o erro é resultado das ações de quem vive.

Por tudo isso, não sou pessimista em relação à morte. 
Sou preocupada com os vivos. 
Com a forma como as pessoas vivem, 
as relações que estabelecem, 
as escolhas que fazem e que nunca dizem respeito apenas a elas. 
Afinal, as lições da humanidade não tem ensinado 
uma independência que possa planejar com absoluta certeza 
a hora de cada um deixar este mundo 
assegurando a felicidade de quem fica. 
Vivemos arriscando no escuro, 
no tempo que não temos. 
Ignoramos a margem de erro.

Na hora da morte é que vejo a importância da consciência em torno da vida. 
Quem morre, descansa. 
Quem vive, sofre. 
Mesmo sabendo que a morte é tão natural 
quanto o nascimento, sofremos a cada partida. 
Sendo assim, o que dizer para consolar 
alguém cuja dor parece mesmo incalculável? 
Coloquei-me diante desta questão a fim de resolvê-la. 
Sou altruísta. 
Não queria que a pessoa que ficou sofresse a dor inconsolável da perda. 
Queria poupá-la da inconformação, 
da revolta, da solidão. 
Conheci à perda da avó, 
a dor incalculável, revoltante, inconsolável 
e tive de buscar conforto sozinha. 
Não queria, desta vez, 
saber de alguém tendo reação parecida.

Penso que é a vida quem dignifica a morte. 
A mobilização diminui o sofrimento. 
O abraço conforta o corpo, 
o pensamento compartilhado, a alma.

Para tanto, precisei lembrar-me de apenas uma frase, 
sabiamente colocada por Antoine Saint-Exupery 
“Aqueles que passam por nós não vão sós, 
não nos deixam sós. 
Deixam um pouco de si, 
levam um pouco de nós”.

Curiosamente, há pouco tempo, conversava com uma amiga 
sobre o que as pessoas significam depois que morrem. 
Comentávamos o que cada um de nós é capaz de deixar 
às pessoas que vivem conosco. 
Perguntávamos-nos, a título de reflexão, 
o que deixaríamos hoje ao mundo caso partíssemos. 
Pendências ou boas lembranças? 
A certeza dos grandes amigos que fomos 
para quem pode desfrutar de nossa amizade 
ou a imagem de jovens que planejavam feitos promissores 
para um futuro que nunca chegaria? 
Feitos que não passariam de promessas, 
no caso de uma partida, 
assim, 
aparentemente do nada.

Lembrando do trecho de “O Auto da Compadecida”, 
quando o Chicó (interpretado espetacularmente no filme por Selton Melo) 
diz que a morte é um mistério do qual ninguém escapa, 
irremediável, 
porque tudo que é vivo morre
penso com mais certeza que enquanto estamos vivos 
é que precisamos pensar mais 
na forma como vivemos e nas escolhas que fazemos 
sem deixar passar as chances, os momentos, 
enfim, a vida que merece ser vivida. 
Para que além de aproveitarmos cada segundo 
"como se não houvesse amanhã" sejamos capazes de partir 
na hora que a matéria tiver de morrer sim, 
mas sem que a alma, a essência da vida, 
se perca junto. 
Porque sempre há quem fique e sinta 
que um pedaço de si já não existe mais. 
Mas se nesse momento, quem ficar 
sentir que enquanto vivos, tivemos momentos que valeram a pena, 
talvez a dor dos vivos em relação a morte 
não seja mais tão devastadora.

Quem somos e o que fazemos hoje, agora? 
Olhemos então para o que já deixamos para trás, 
o que já marcou nosso tempo de vida até hoje. 
O que ainda há para fazer? 
Quantos abraços, sorrisos, palavras e vivências 
ainda temos para dar às pessoas? 
O que ainda nos falta aprender, ensinar? 
Não há como saber quanto tempo ainda teremos. 
Chego a conclusão que este sim é o mistério. 
O desafio que separa a graça da vida da dor da morte.


Imagens by: Google Search


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segunda-feira, 17 de abril de 2017

O Tenebroso Mar

Aquilo que é aguda e finamente percebido 

desperta em nós o dom. 

O medo incomensurável do dispensador invisível 

invisivelmente 

gera a tomada de consciência 

dos meus erros e enganos.

Depois de um rápido mergulho no vazio 

percebemo-nos 

novamente 

out of control, 

submergidos no grotão do mar de emoções incomensuráveis 

e infinitamente profundas.

O dom despertado é saber a hora de zarpar. 

De abandonar esse tenebroso mar 

para só retornar a ele 

quando as reservas de vida tiverem sido reabastecidas.


VSO.
in memoriam de Hancock

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Cara Bonita, Cara Feia


Cara bonita é coisa feia de se ver. Cara feia é bonito de ver.

A alma cala. A dor não sara.

Se a dor sarou porque a cara não consertou?

Dizem que a carne não conserta as marcas da dor, nem da alegria também. 

Se não tem conserto porque se usa o verbo consertar?

Cara bonita é tão manjada que todo mundo sabe que é feia. 

Se feia é porque ainda chama "cara bonita"?

E cara feia o que é?

Cara feia é cara de quem mostra fora o que tem dentro.

É feio isso?

No fim só sabe mesmo a razão do certo/errado, bonito/feio

quem mostra a cara

E quem bate na cara de quem mostra a cara é uma pessoa muito feia e deseducada.

Agora, eu, perdi esse tempo na poeira da estrada.

Aprendi isso quando já tinha muitas marcas no rosto

Então hoje, quando mostro a cara, alguém sempre me fala:

Que cara feia é essa menina?

E eu digo:

- Meu lindo rosto, feito do que a vida fez comigo e do que eu fiz com aquilo que a vida me fez.

E eu me acho linda. Mais por dentro do que por fora.

É que cirurgia não é mesmo uma das minhas primeiras prioridades.

Tenho andado muito ocupada arrumando dentro umas coisas muito feias de se mostrar por fora

E, por hora, nem sei mesmo se são

Cem por cento minhas essas tantas marcas

Penso que vivi tão pouco para ter tantas marcas

A aprendi na vida que quando dentro há sol brilhante

e luz da aurora

A cara brilha, as marcas somem e a dor

realmente sara.


VSO - in memoriam de Storm




domingo, 2 de abril de 2017

De ontem

No outro dia eu vi o mar
De um lado a vida cheia de alegria e dor
Riqueza.
Do outro lado eu vi a vida ainda por ser vivida
A vida dos pequenos, dos grandes compromissos
E chorei.
Eu estava no meio, entre os dois caminhos
No meio entre o dever e a dor
A obrigação e a riqueza.
Dividida entre coração e coração.
De um lado o fim do caminho
Do outro lado o caminho do começo e não havia escolha.

Não é estranho quando a metáfora é tangível?
Metáfora viva é muito estranho.
Bastaria ter seguido em frente?

Não saberei jamais
Pois fui em frente, voltei para onde eu ia
Acho que nem era real
Acho que naquele instante vi um futuro num relance
um por vir, um seria

Havia muitas lágrimas naquele dia
E pude vê-las todas não como dores que seriam
Mas como rios que formavam
E para chorar as que não eram minhas
Minhas se fizeram
E para chorar as que não eram
minhas se fizeram

Eu vi histórias e águas se misturarem
e se tornarem uma só.
O mar.

VSO. in memoriam de Storm



Você não é uma gota no oceano. Você é o oceano inteiro em uma gota - Rumi

terça-feira, 28 de março de 2017

Epifania

Depois de anos de prática e não-prática 

só agora me empoderei de um saber: 

da vacuidade do mental.

Depois de anos de treino, 

de prática, de lágrimas,

risos e silêncios ...

Acostumei-me à vacuidade do pensar e do sentir

Vacuidade como sendo algo que não é permanente

Nem imanente e muito menos consciente

E como os pensamentos e as emoções

Vinham e iam, como vagas no mar

Deixei de a eles tanta importância dar.

Mas nunca sosseguei em relação a isso

Esse ir e vir, sem hora nem lugar

E quando à visão juntou-se a audição

Pensei em uma resposta encontrar

O que eram? De quem seriam?

E como ganharam importância

Passaram a se identificar

Pelo menos eu acreditava nisso.

Passei um tempo procurando o id

dos que não eram meus ...

Mas logo desisti ... 

me pareceu não ter tanta importância assim

saber o que eram

desliguei o censor interno e me pus a escutar

E dei nome ao processo de eles mesmos se identificarem

de mental net

e aceitei o nome que alguém já tinha criado antes de mim:

A High Connection

E houve paz dentro de mim.

Mas sabe como é a paz em termos mentais?

Céu calmo sobre mar tenebroso

E as vagas continuavam

E eram sólidas, reais, com CPF e RG

metaforicamente falando.

Meditativamente eu estava certa

Pensamentos e emoções são vácuos,

transitórios e vagabundos

Ora ali, ora acolá.

Mas não deixei de me encafifar com os mesmos

conteúdos em tantos lugares

E na última década estudei,

estudei, pesquisei, 

conjecturei sem nada encontrar ...

Já me via Médium, Channel, algo em que me transformar

Com direito a pódio, neon e primeiro lugar ...

E foi essa a epifania de hoje:

que "focalizada uni focadamente na natureza convencional"

do que quer que seja

"a sua mente totalmente absorta é incapaz de fazer surgir"

o que quer que seja

"como objetos da sua própria cognição."

Piada?

Não!!!

Apenas a desatenção dando mostras da sua real existência.

"É somente devido aos obstáculos que ainda afetam a mente ... em absorção total que sua mente absorta é incapaz de fazer surgir simultaneamente a vacuidade e sua base como seus objetos de cognição"
A base.

Anos de discussão familiar sobre a importância da letra

ou da base no movimento hip-hop ...

Deveriam ter me despertado ...

Mas não aconteceu.

E agora

na leitura de um texto quase acadêmico

Eis que acordei

ou pisquei ...

Surgir e Engajar

surgir e engajar

Isso é a mental

A consciência mental que sabe quem é quem

Surgir e Engajar

surgir e engajar

Isso é a High

A conexão sensorial que sabe quem é de quem

Supranatural é o sentir mostrando o que desconhece

Surreal é saber a si mesmo ...

(Incoerência interna faz tanto sentido internamente ...)

Sensacional é o mental mostrando o que desconhece

E Epifania é o nome dado às royalties


VSO.




                                                  "Há duas maneiras clássicas de descrever o processo meditativo. 

Uma é que com consciência mental 
nós focalizamos na experiência do mero surgir e engajar 
que agora recordamos 
do momento de cognição imediatamente precedente. 
A outra é que um aspecto da mente 
foca no mero surgir e engajar do seu próprio momento de cognição. 
Nos dois casos, usamos plena atenção 
para manter o foco mental da nossa atenção 
na própria mente; 
e atentividade para notar e corrigir 
qualquer desvio deste foco devido à fugacidade da mente 
ou ao torpor mental. 
Quando tivermos eliminado totalmente 
estas falhas da nossa meditação, 
atingimos samadhi 
– um estado de concentração absorta. 
Alcançamos shamata quando, além disso, 
nós experienciamos, acompanhando o samadhi, 
uma serena e alegre sensação de maleabilidade 
e aptidão física e mental 
de sermos capazes de nos concentrar perfeitamente 
em qualquer coisa 
durante o tempo que desejarmos." 


Epifania II


Viver modestamente ... 

sempre pensei que seria viver em estado de miséria material, 

abdicando do consumo, 

principalmente do consumo por impulso. 

Hoje ainda não sei bem o que é. 

Estou ainda na fase de definir, externa e internamente o que é consumir

consumir consciente

consumir por impulso

o que é ser modesta


e, tem sido essa a questão 

que tem feito parar 

a minha linha de pensar


modéstia é algo que tem pouco a ver comigo mesma

e muito a ver com a opinião social sobre minha pessoa.


E é por isso que, 

há mais de uma década de meses que nada consumo.

Nada.


Só descobri uma coisa por enquanto:

a abstinência não é tão boa conselheira assim

pois há um pedacinho de mim 

que anda imersa 

em profunda tristeza e carência.


Vida modesta, viver modestamente, consumir consciente...


A fase seguinte

sempre aparece antes de termos conseguido dar

um fatality na fase anterior


Acho que é um engodo social

para nos manter consumindo avidamente

em busca do que virá depois.


E eu, na ânsia de receber a graduação

espero ansiosa, 

desesperada 

e nada modestamente

pela prova final.


Aquele derradeiro exame final 

onde

finalmente

me permitir conhecer

qual o significado real, 

externo e interno

que d
essas palavras

e questões

se escondem.


VSO.
in memoriam de um tempo esquecido.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Sua Presença no Aqui Agora




Corpo de Morte.

quem é ele?

A pessoa. O corpo físico, talvez,

que “é pó e ao pó retorna”.



E onde é o lugar da morte?

O chão, a terra, 

“a argila na qual fomos moldados e à qual retornaremos.”



O que mais morre além desse espetacular corpo físico?

O que mais morre além dos abraços, afagos e beijos?

O que mais morre além do som da voz 

com todos seus tons e sutilezas sonoras?

Suas sutilezas sonoras...



O que mais morre além de todas as referências físicas 

de sua existência real?

Suas referências físicas... 

Sua existência real...



A real existência de alguém possui um corpo de morte ...

A real existência de alguém é mais do que o corpo de morte ...

Ensinam-nos isso nos templos, igrejas e sinagogas.

Nas escolas...



Ensino não formal, não científico.

De científico só o corpo físico e suas interações neurofisiológicas.



Quando o corpo de morte se vai 

o que fica? 

quem fica?



Hoje sabemos que algo fica. 

Persiste além do corpo físico. 

Além do fogo fátuo.

Além de ossos, cinzas e água sabem que algo fica. 

Um saber sub reptiliano talvez...

O que fica? A alma, o espírito ...



 Nós?

“Em Nós todos nós permanecemos”.



Mas...



Além de você, além de seu corpo, o que sei de você?

Além do nosso contato, nossos beijos e abraços, conversas, 

encontros e desencontros,

O que sei de Você? 

O que sei de você além do seu rosto, do seu toque, do seu tom?

Eu não te conhecia antes, 

mas reconhecia você por sua presença.

Sua presença física. 


E hoje penso que te reconheço.



Parece que te reconheço num sorriso aqui, numa fala lá, num gesto acolá.

Parece que reconheço sua presença, seu “estar entre nós”.




Poesia boba essa minha. Tolice!

Os poetas sempre entenderam de almas e espíritos.

Não, não é tolice... Nem minha nem dos poetas.

Poetas foram sempre visionários, bêbados, drogados... 

 Visionários

sem crédito. 

Românticos 

Incuráveis 

Que enxergam muitas luzes.

Ou sombras demais.



Visionários.



Mas aqui, nesse verso, 

em prosa e sem rima;

eu queria mais do que isso,

eu queria falar de você como alguém que ainda é,

além do que já foi.



Mas, infelizmente, para falar de sua continuidade,

a que penso que sei, 

a que penso que conheço, 

a que às vezes reconheço

só posso faze-lo em versos, rimados ou não,

mas sempre, sempre metafóricos.


Sua presença, eu sei, está no meio de nós.

Além do que foste,

além do que jaz.

Além do Passado vivido em conjunto, 

guardado em esparsas lembranças .



Para você, no Aqui e no Agora. 

Minhas sinceras desculpas. Nossas mais sinceras desculpas.

Por não nos reconhecermos por tanto tempo.





Tudo mudou no mundo. O mundo mudou.

O que não cabia no mundo ainda não cabe no mundo, 

com a diferença que, hoje, metaforizar ficou mais fácil 

e mais perto da realidade compartilhada com todos.

Há mais do que o sangue para se falar de alguém. 

Algo além do corpo de morte.

Você e eu temos que nos acostumar a isso.



A Sua Presença no Aqui e Agora.



A Minha Presença no Aqui e Agora.






A partir de Agora temos que estender nossos relacionamentos

para além da subjetiva dor...


Para além do subjetivador...


Para além das fronteiras internas ...


Para além das fronteiras externas ...


Para além da subjetiva realidade  de cada um...


Para além do tempo... e do espaço.


VSO.


Sentimientos entre los silencios del Alma: LA AMISTAD
A Toca da Oliveira Santa, Jurumirim/Tatuí/SP. – 31.07.2016/21:59












Alma!Deixa eu ver sua almaA epiderme da almaSuperfície!Alma!

Zélia Duncan





fontes:

Poesia/texto: https://www.facebook.com/oliveira.vilmasantosescritora/

Zélia Duncan canta - Alma: 
https://www.youtube.com/watch?v=yUqxiSE-wpY 
https://www.vagalume.com.br/zelia-duncan/alma.html


Imagens: Search Google