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quarta-feira, 20 de junho de 2018

O Dicionário de Tristezas Obscuras

The Dictionary of Obscure Sorrows é um compêndio de palavras inventadas escrito por John Koenig.  Cada definição original tem como objetivo preencher um buraco na linguagem - dar um nome às emoções que todos nós podemos experimentar mas ainda não temos uma palavra para elas.



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The Dictionary Of Obscure Sorrows: 
Pela Falta De Um Mundo Melhor


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Sonder
 A Realização De Que Todo Mundo Tem Uma História



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Alazia: 
O Medo De Que Você Não É Mais Capaz De Mudar 




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Koinophobia: 
O Medo De Que Você Tenha Vivido Uma Vida Comum



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Avenoir: 
O Desejo de Ver As Memórias Com Antecedência



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Yù Yī : 
O Desejo De Sentir Intensamente Novamente



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Opia: 
A Intensidade Ambígua do Contato Visual



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Zenosyne: 
O Sentido De Que O Tempo Continua Passando Rápido



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Olēka: 
A Consciência De Que Poucos Dias São Memoráveis



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Astrophe: 
O Sentimento De Estar Preso Na Terra



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Dès Vu: 
A Consciência De Que Isso Se Torne Uma Memória



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Socha: 
A Vulnerabilidade Oculta Dos Outros



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Ambedo: 
A Realização De Um Momento Por Sua Própria Conta



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Lachesism: 
Desejando A Clareza Do Desastre



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Anemoia: 
Nostalgia Por Um Tempo Que Você Nunca Conheceu



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Kenopsia: 
A Estranheza Dos Lugares Deixados Para Trás



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Morii: 
O Desejo de Captar uma Experiência Fugaz



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Lutalica: 
A Parte Da Sua Identidade Que Não Se Encaixa Em Categorias



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Moment Of Tangency: 
Um vislumbre do que poderia ter sido



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Onism: 
A Consciência De Quão Pouco Do Mundo Você Vai Experimentar



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Silience: 
A Reluzente Arte Escondida Ao Seu Redor



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Vemödalen: 
O Medo De Que Tudo já Tenha Sido Feito



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Nodus Tollens: 
Quando Sua vida não se Encaixa Em Uma História



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Klexos: 
A Arte de Habitar No Passado



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Ballagàrraidh: 
A Consciência De Que Você Não Está Em Casa Na Natureza Selvagem 



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Kudoclasm: 
Quando Sonhos Vitalícios Caem Por Terra



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Pâro: 
O Sentimento de que tudo o que você faz é de alguma forma errado



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Keta:
Uma Imagem Que Inexplicavelmente Retorna À Sua Mente Do Passado Distante.



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A conquista de novas palavras

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Exaustão emocional, a consequência de tentar ser forte a todo momento

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A exaustão emocional é um estado atingido pela sobrecarga de esforço. Neste caso, não falamos apenas de excessos de trabalho, mas também de assumir conflitos, responsabilidades ou estímulos emocionais ou cognitivos.

A exaustão emocional não vem de um momento para outro. Trata-se de um processo que ocorre lentamente, até que haja um ponto em que a pessoa entra em colapso. Essa quebra a submerge em paralisia, depressão profunda ou doença crônica. Ocorre um colapso na vida da pessoa, porque ela literalmente já não aguenta mais.

“Nada pesa tanto quanto o coração quando está cansado”.

- José de San Martín -



Embora a exaustão emocional seja sentida como cansaço mental, geralmente está acompanhada de uma grande fadiga física. Quando isso acontece, há uma sensação de peso, de incapacidade de seguir em frente. Caímos, então, em uma inércia da qual é difícil sair.




As causas do esgotamento emocional

O esgotamento emocional se origina porque há um desequilíbrio entre o que damos e o que recebemos. Aqueles que são vítimas disso dão tudo o que podem de si mesmos, seja no trabalho, em casa, no relacionamento ou em qualquer área.

Em geral, isso ocorre em áreas onde há uma grande exigência, que por sua vez, aparentemente, exige grandes sacrifícios. Por exemplo, em um trabalho onde há um alto risco de demissão. Ou em uma casa cujos membros estão cheios de problemas e exigem atenção. Também quando temos um relacionamento conflituoso ou com sérias dificuldades.

O comum é que a pessoa exausta não tenha tempo para si mesma. Tampouco recebe reconhecimento, carinho ou consideração suficiente. Espera-se que ela se “renda” o tempo todo. Como se não tivesse necessidades, ou como se fosse mais forte que o resto e pudesse aguentar tudo.

Os primeiros sintomas de exaustão

Antes que apareça a exaustão emocional propriamente dita, há algumas indicações que a anunciam. São sinais aos quais, em geral, não são dados muita importância. Se os notarmos, as medidas podem ser tomadas a tempo.

Os sintomas iniciais da exaustão emocional são:

Cansaço físico. A pessoa se sente cansada com frequência. A partir do momento em que abre os olhos, sente como se fosse extremamente árduo o que a espera no dia.

Insônia. Por mais contraditório que pareça, uma pessoa com exaustão emocional apresenta dificuldade para dormir. Sempre tem problemas aos quais dedica tempo demais e que fazem com que seja difícil pegar no sono.

Irritabilidade. Há desconforto e perda de autocontrole com certa frequência. A pessoa exausta parece mal-humorada e é muito sensível a qualquer crítica ou gesto de desaprovação.

Falta de motivação. Quem sofre de exaustão emocional começa a agir mecanicamente. Como se fosse obrigado a fazer o que faz o tempo todo. Não tem entusiasmo ou interesse em suas atividades.

Distanciamento afetivo. As emoções começam a ficar cada vez mais planas. É como se, na verdade, a pessoa não sentisse praticamente nada.

Esquecimentos frequentes. A saturação de informações e/ou estímulos leva a falhas na memória. Esquecem com facilidade as pequenas coisas.

Dificuldades para pensar. A pessoa se sente confusa com facilidade. Cada atividade implica um gasto maior de tempo do que antes. Raciocina lentamente.


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As saídas para a exaustão emocional

A melhor maneira de superar a exaustão emocional é, naturalmente, descansando. Você tem que encontrar tempo livre para relaxar e ficar calmo. As pessoas que se exigem muito passam anos sem, por exemplo, tirar férias. Isso não pode acontecer. Mais cedo ou mais tarde, só leva à fadiga. Então, uma boa ideia é tirar alguns dias para dedicar ao descanso.

Outra solução é trabalhar para construir uma atitude diferente diante das obrigações diárias. Cada dia deve incluir horários para dedicar aos compromissos e também momentos para descansar e realizar atividades que sejam gratificantes. Devemos deixar de lado as obsessões de perfeição ou realização.

Finalmente, é muito importante nos sensibilizarmos com nós mesmos. Para isso, nada melhor do que dedicar um momento a cada dia para ficarmos sozinhos. Respirar, nos reconectar com o que somos e com o que desejamos. É fundamental desenvolver uma atitude de compreensão e bondade com nós mesmos. Caso contrário, mais cedo ou mais tarde, será impossível seguir adiante.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa




Imagens by: Search Google

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Tênis x Frescobol - Rubem Alves

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“Depois de muito meditar sobre o assunto concluí que os casamentos são de dois tipos: há os casamentos do tipo tênis e há os casamentos do tipo frescobol. Os casamentos do tipo tênis são uma fonte de raiva e ressentimentos e terminam sempre mal. Os casamentos do tipo frescobol são uma fonte de alegria e têm a chance de ter vida longa.
Explico-me. Para começar, uma afirmação de Nietzsche, com a qual concordo inteiramente. Dizia ele:

Ao pensar sobre a possibilidade do casamento cada um deveria se fazer a seguinte pergunta: “Você crê que seria capaz de conversar com prazer com esta pessoa até a sua velhice?”. Tudo o mais no casamento é transitório, mas as relações que desafiam o tempo são aquelas construídas sobre a arte de conversar.

Xerazade sabia disso. Sabia que os casamentos baseados nos prazeres da cama são sempre decapitados pela manhã, terminam em separação, pois os prazeres do sexo se esgotam rapidamente, terminam na morte, como no filme O império dos sentidos. Por isso, quando o sexo já estava morto na cama, e o amor não mais se podia dizer através dele, ela o ressuscitava pela magia da palavra: começava uma longa conversa, conversa sem fim, que deveria durar mil e uma noites. O sultão se calava e escutava as suas palavras como se fossem música. A música dos sons ou da palavra – é a sexualidade sob a forma da eternidade: é o amor que ressuscita sempre, depois de morrer. Há os carinhos que se fazem com o corpo e há os carinhos que se fazem com as palavras. E contrariamente ao que pensam os amantes inexperientes, fazer carinho com as palavras não é ficar repetindo o tempo todo: “Eu te amo, eu te amo…”. Barthes advertia: “Passada a primeira confissão, ‘eu te amo’ não quer dizer mais nada”. É na conversa que o nosso verdadeiro corpo se mostra, não em sua nudez anatômica, mas em sua nudez poética. Recordo a sabedoria de Adélia Prado: “Erótica é a alma”.

O tênis é um jogo feroz. O seu objetivo é derrotar o adversário. E a sua derrota se revela no seu erro: o outro foi incapaz de devolver a bola. Joga-se tênis para fazer o outro errar. O bom jogador é aquele que tem a exata noção do ponto fraco do seu adversário, e é justamente para aí que ele vai dirigir a sua cortada – palavra muito sugestiva, que indica o seu objetivo sádico, que é o de cortar, interromper, derrotar. O prazer do tênis se encontra, portanto, justamente no momento em que o jogo não pode mais continuar porque o adversário foi colocado fora de jogo. Termina sempre com a alegria de um e a tristeza de outro.
O frescobol se parece muito com o tênis: dois jogadores, duas raquetes e uma bola. Só que, para o jogo ser bom, é preciso que nenhum dos dois perca. Se a bola veio meio torta, a gente sabe que não foi de propósito e faz o maior esforço do mundo para devolvê-la gostosa, no lugar certo, para que o outro possa pegá-la. Não existe adversário porque não há ninguém a ser derrotado. Aqui ou os dois ganham ou ninguém ganha. E ninguém fica feliz quando o outro erra – pois o que se deseja é que ninguém erre. O erro de um, no frescobol, é como ejaculação precoce: um acidente lamentável que não deveria ter acontecido, pois o gostoso mesmo é aquele ir e vir, ir e vir, ir e vir… E o que errou pede desculpas, e o que provocou o erro se sente culpado. Mas não tem importância: começa-se de novo este delicioso jogo em que ninguém marca pontos…

A bola: são as nossas fantasias, irrealidades, sonhos sob a forma de palavras. Conversar é ficar batendo sonho pra lá, sonho pra cá…
Mas há casais que jogam com os sonhos como se jogassem tênis. Ficam à espera do momento certo para a cortada. Camus anotava no seu diário pequenos fragmentos para os livros que pretendia escrever. Um deles, que se encontra nos Primeiros cadernos, é sobre este jogo de tênis:

Cena: o marido, a mulher, a galeria. O primeiro tem valor e gosta de brilhar. A segunda guarda silêncio, mas, com pequenas frases secas, destrói todos os propósitos do caro esposo. Desta forma marca constantemente a sua superioridade. O outro domina-se, mas sofre uma humilhação e é assim que nasce o ódio. Exemplo: com um sorriso: “Não se faça mais estúpido do que é, meu amigo”. A galeria torce e sorri pouco à vontade. Ele cora, aproxima-se dela, beija-lhe a mão suspirando: “Tens razão, minha querida”. A situação está salva e o ódio vai aumentando.

Tênis é assim: recebe-se o sonho do outro para destruí-lo, arrebentá-lo, como bolha de sabão… O que se busca é ter razão e o que se ganha é o distanciamento. Aqui, quem ganha sempre perde.

Já no frescobol é diferente: o sonho do outro é um brinquedo que deve ser preservado, pois se sabe que, se é sonho, é coisa delicada, do coração. O bom ouvinte é aquele que, ao falar, abre espaços para que as bolhas de sabão do outro voem livres. Bola vai, bola vem – cresce o amor… Ninguém ganha para que os dois ganhem. E se deseja então que o outro viva sempre, eternamente, para que o jogo nunca tenha fim…”

https://www.asomadetodosafetos.com


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Imagem by: Search Google

quarta-feira, 30 de maio de 2018

VIVENDO A NOVA REALIDADE - James Redfield

Podemos, portanto, enxergar o quadro mais amplo oferecido pela nova ciência. Agora, quando nos postamos em nosso jardim ou passeamos pelo parque admirando a paisagem num belo dia de sol, devemos ver um mundo novo. Não podemos mais pensar que o universo que habitamos está se expandindo em todas as direções até o infinito; sabemos que o universo é fisicamente infinito, mas curvado de uma forma que o torna limitado e finito. Vivemos dentro de uma bolha de espaço/tempo e, como os físicos que pesquisam o hiperespaço, intuímos outras dimensões. E quando olhamos em volta, para as formas dentro deste universo, já não
podemos ver matéria sólida, mas substância energética. Tudo nada mais é do que um campo de energia, de luz, todas as coisas interagindo e influenciando-se mutuamente — inclusive nós mesmos.

Na verdade, a maioria dessas descrições da nova realidade já foi confirmada pela nossa própria experiência. Todos nós temos, por exemplo, momentos em que podemos constatar que outras pessoas captaram nossos pensamentos, ou ocasiões em que sabemos o que outra pessoa sente ou está prestes a dizer. De modo semelhante, vivemos situações em que sabemos que alguma coisa está prestes a acontecer ou poderia potencialmente acontecer, e essas premonições muitas vezes são acompanhadas por pressentimentos que nos dizem aonde deveríamos ir ou aquilo que deveríamos fazer, para estarmos no lugar certo, na hora exata. O mais significativo é que sabemos que a nossa atitude e a nossa intenção a respeito das outras pessoas são extremamente importantes. Como veremos mais tarde, quando pensamos positivamente, nos elevamos e elevamos os outros, e acontecimentos incríveis começam a ter lugar.

O nosso desafio é colocar tudo isso em prática cotidianamente, integrado à nossa vida diária. Vivemos num universo inteligente, de energia dinâmica, que nos responde, no qual as expectativas e teorias das outras pessoas irradiam-se delas para nos influenciar.

O próximo passo, portanto, em nossa viagem em direção a uma vida com uma nova consciência espiritual é ver o mundo humano de energia, expectativa e drama como ele realmente é, e aprender a lidar com esse mundo de maneira mais eficaz.

A Visão Celestina - James Redfield


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COMPREENDENDO ONDE ESTAMOS - James Redfield

A SOLUÇÃO DO ILUMINISMO

Chegamos agora a outro ponto crucial na formação da visão moderna do mundo. Tínhamos apelado para a ciência para a descoberta de respostas para as nossas maiores perguntas existenciais e espirituais, mas a ciência tornou-se consumida por um enfoque puramente laico e materialista. Quem poderia dizer quanto tempo ela demoraria para descobrir o sentido mais elevado da vida humana?

Era evidente que nós, ocidentais, precisávamos de um novo sentido, um novo estado de espírito a que pudéssemos nos agarrar nesse ínterim — e, mais importante, que ocupasse a nossa mente. E parece que nesse momento a decisão coletiva foi levar a nossa atenção totalmente para o mundo físico, assim como a ciência estava fazendo. Afinal, a ciência estava descobrindo um rico tesouro de recursos naturais à nossa disposição — e podíamos usar esses recursos para melhorar nossa situação econômica, para conseguirmos mais conforto nesse mundo material. Poderíamos ter que esperar pelo conhecimento a respeito da nossa verdadeira
situação espiritual, mas, enquanto esperávamos, poderíamos conseguir mais segurança material. A nossa nova filosofia, embora temporária, era um passo à frente no progresso humano, um compromisso com o aperfeiçoamento da nossa vida e da vida de nossos filhos.

Essa nova filosofia, no mínimo, nos tranquilizava. A carga de trabalho nos mantinha ocupados, afastando a nossa atenção do fato de que o mistério da morte, portanto o da própria vida, ainda se mostrava enorme e inexplicado. Algum dia, no final da nossa existência terrena, teríamos que enfrentar as realidades espirituais, fossem elas quais fossem. Enquanto isso, porém, limitávamos nosso enfoque aos problemas da existência material cotidiana e
tentávamos fazer do próprio progresso, tanto pessoal quanto coletivo, a única razão para a nossa curta vida. E essa se tornou a postura psicológica no início da era moderna.

Basta uma olhadela rápida no final do século XX para vermos os grandiosos resultados desse enfoque restrito ao progresso material. Em poucos séculos, exploramos o mundo, fundamos nações e criamos um imenso sistema de comércio global. Além disso, cientistas venceram doenças, desenvolveram fantásticas formas de comunicação e mandaram homens à Lua.

No entanto, todas essas conquistas tiveram um preço alto. Pelo progresso, nós exploramos o meio ambiente quase ao ponto da sua destruição. E pessoalmente podemos perceber que, em certo ponto, o nosso enfoque nos aspectos econômicos da vida tornou-se
uma obsessão, usada para afastar a ansiedade da incerteza. Fizemos da vida material e do progresso dirigido pela nossa lógica a única realidade que permitíamos entrar em nossa mente.

Finalmente, em meados do século XX, a cultura ocidental começou a despertar dessa preocupação. Paramos para olhar em volta e começamos a compreender o nosso lugar na História. Ernest Becker ganhou um Prêmio Pulitzer por seu livro The Denial of Death porque mostrou claramente o que o mundo moderno tinha feito a si mesmo psicologicamente. Nós tínhamos limitado nosso enfoque à economia material e, durante todo esse tempo, nos
recusamos a aceitar a idéia de uma experiência espiritual mais profunda, porque não queríamos que nos lembrassem o grande mistério que é esta vida.

Acredito que é por isso que as pessoas mais velhas eram abandonadas em sanatórios: elas nos lembravam aquilo que tínhamos empurrado para longe da nossa consciência. A necessidade de nos esconder do mistério que nos aterrorizava é também a razão por que o nosso senso comum acha tão estranha a crença num universo onde a sincronicidade e outras capacidades intuitivas são reais. O nosso medo explica por que, durante tantos anos, os indivíduos que experimentavam fenômenos misteriosos — sincronicidade, intuição, sonhos proféticos, percepções extra-sensoriais, experiências no limiar da morte, contato com anjos, e
tudo mais —, que sempre ocorreram na existência humana e até continuavam na era moderna, eram tratados com tanto ceticismo. Falar sobre essas coisas, ou até mesmo admitir que elas eram possíveis, colocava em risco a nossa teoria de que o mundo material era tudo que existia.

VIVENDO UM PRESENTE MAIS LONGO

Podemos ver, portanto, que a percepção da sincronicidade em nossa vida representa nada menos que um despertar coletivo da visão materialista do mundo, que durou séculos. Agora, quando contemplamos a existência moderna com suas maravilhas tecnológicas, podemos ver este mundo a partir de um ponto de vista psicológico mais revelador.

Com a decadência da Idade Média, perdemos a sensação de certeza a respeito de quem éramos e o que significava a nossa existência; assim, inventamos um método científico de pesquisa e o encarregamos de descobrir a verdade da nossa situação. Mas a ciência parecia fragmentar-se em mil faces, incapaz de trazer de volta de imediato uma imagem coerente.

Como reação, afastamos a ansiedade voltando o nosso enfoque para iniciativas práticas, reduzimos a vida a seus aspectos econômicos e finalmente entramos numa obsessão coletiva, com os aspectos prosaicos e materiais da vida. Como vimos, os cientistas apresentaram uma visão do mundo que reforçou essa obsessão e, durante muitos séculos, eles próprios ficaram perdidos dentro dela. O preço dessa cosmologia limitada foi o estreitamento da experiência humana e a repressão da nossa percepção espiritual mais elevada — uma repressão que agora estamos finalmente vencendo.

O desafio é nos esforçarmos sempre para manter na consciência essa maneira de ver a História, especialmente quando o materialismo, ainda influente, tenta nos atrair de volta para
a antiga visão. Temos que ter em mente onde estamos, a verdade da era moderna, e fazer disso parte de todos os momentos da nossa vida — pois é a partir dessa sensação intensificada de estarmos vivos que podemos nos abrir para o próximo passo da nossa viagem.

Quando olhamos com um olhar novo, vemos que a ciência não fracassou por completo; sempre houve na ciência uma corrente subjacente que silenciosamente ultrapassava a obsessão material. A começar nas primeiras décadas do século XX, uma nova maneira de pensar começou a formar uma descrição mais completa do universo e de nós mesmos — uma descrição que finalmente está abrindo caminho para a consciência popular.

A Visão Celestina - James Redfield

Capa

COMPREENDENDO ONDE ESTAMOS - James Redfield

UM UNIVERSO MATERIALISTA
A primeira imagem científica abrangente de como esse mundo exterior funcionava foi
criada por Sir Isaac Newton, que reuniu as opiniões dos primeiros astrônomos num modelo de
universo estável e previsível. A matemática newtoniana sugeria que o mundo macro operava
segundo leis naturais imutáveis, que poderiam ser utilizadas em aplicações práticas.
Descartes já tinha proposto que o universo em sua inteireza — a órbita da Terra e outros
planetas ao redor do Sol, a circulação da atmosfera como padrões meteorológicos, a
interdependência das espécies animais e vegetais — funcionava em conjunto como uma
grande máquina cósmica, ou um mecanismo, sempre confiável e totalmente despido de
influência mística.
A matemática newtoniana parecia provar isso. E uma vez estabelecida na física essa
imagem holística, todos acreditaram que as outras disciplinas da ciência precisariam apenas
fornecer os detalhes, descobrir os miniprocessos, as engrenagens e as molas que faziam
funcionar o grande relógio. À medida que isso começava a ocorrer, a ciência foi ficando cada
vez mais especializada em sua maneira de mapear o universo físico, retalhando-o em
subdivisões cada vez menores e detalhando a nomenclatura e a explicação do mundo à nossa
volta.
O dualismo cartesiano e a física newtoniana estabeleceram uma posição filosófica que
foi rapidamente aceita como a visão reinante na era moderna. Essa visão advogava ainda um
ceticismo empírico, dentro do qual nada no universo deveria merecer crédito se a sua
existência não fosse provada, sem sombra de dúvida, através de uma experiência quantitativa.
Acompanhando Francis Bacon, a ciência tornou-se cada vez mais materialista e
pragmática em sua orientação e afastou-se cada vez mais das questões mais profundas da vida
do propósito espiritual da humanidade. Quando eram pressionados, os cientistas referiam-se
a uma idéia deísta de Deus, uma divindade que primeiro colocou o universo em
funcionamento, deixando-o depois a funcionar por meios totalmente mecânicos.

A Visão Celestina - James Redfield

RESPONDENDO AO CETICISMO - A Visão Celestina - James Redfield

O maior desafio àqueles de nós que começam a viver a nova percepção espiritual é relacionar-se com os céticos. Todos nós, uma vez abertos à realidade da sincronicidade, nos encontramos em alguma ocasião conversando com alguém que reage negativamente às nossas crenças e questiona diretamente a validade das nossas experiências. Embora os céticos estejam diminuindo de número, ainda são muitos os defensores da velha visão materialista que considera fantasiosa e sem fundamento qualquer conversa sobre o misticismo. Essas conversas ameaçam diretamente as suas sensatas teorias a respeito do que é real e racional no mundo natural.


Os céticos que encontramos parecem dividir-se em duas categorias principais. O grupo maior é daqueles que tomam uma posição de ceticismo não porque tenham estudado a ampla gama de experiências místicas de que ouvem falar, e sim porque não o fizeram; não têm tempo ou inclinação para investigar essas experiências, de modo que adotam a posição que lhes parece mais segura: rotulá-las de absurdas. Geralmente esses céticos vivem e trabalham com outros céticos, que criticam qualquer nova criação ou teoria e usam o ridículo como meio de obter poder pessoal sobre os outros. Nesse tipo de ambiente, a maioria das pessoas adota uma posição estritamente convencional, para evitar o conflito.

O outro tipo de cético que encontramos é o verdadeiro adepto do materialismo científico. Trata-se de uma pessoa que pode pesquisar até certo ponto o cenário da experiência mística, mas sempre recua para trás das barricadas do materialismo, exigindo evidências positivas de tais afirmações. E não dão ouvidos a argumentos tais como: as experiências místicas têm um caráter consistente ao longo de períodos prolongados, milhares de pessoas não relacionadas entre si oferecem relatos idênticos, as estatísticas têm provado repetidamente que a capacidade intuitiva e psíquica é uma ocorrência natural.

Várias abordagens se mostraram eficazes no trato com os céticos. Em primeiro lugar, devemos nos lembrar de que um certo grau de ceticismo é na realidade importante: todos nós devemos evitar aceitar cegamente uma idéia que está na moda, bem como devemos submeter a um olhar crítico qualquer afirmação a respeito da natureza da realidade. 

Não devemos esquecer, no entanto, que este princípio tem um corolário igualmente importante, e que muitas vezes é esquecido: conservar a mente aberta para investigar o
fenômeno em questão. É especialmente difícil manter esse equilíbrio entre o ceticismo e a mente aberta quando o fenômeno envolve a nossa psicologia interior ou a nossa espiritualidade.

Dois outros pontos importantes são: manter a conversa sempre amistosa e procurar áreas de concordância. Eu me arriscaria a dizer que quase todo mundo que agora experimenta percepções de natureza mística ou espiritual já foi extremamente cético. Nesse sentido, todos nós somos ex-céticos, e pode ser importante lembrar que o processo de se abrir para o lado místico da vida está acontecendo principalmente através da interação pessoal; vemos outra pessoa levando a sério a idéia da experiência espiritual, e então decidimos investigar nós mesmos o assunto.

Por este motivo devemos levar a sério todas as conversas. A nossa franqueza pode ser o testemunho que derruba a posição entrincheirada de alguém. E sabem de uma coisa? O oposto
pode ser verdade: o cético a que estamos nos referindo pode estar correto em determinado ponto. Aqueles de nós que estão investigando o potencial da experiência humana nada estarão fazendo se não estiverem comprometidos com um processo bilateral de construção de um consenso. Todos nós temos que escutar para aprender. É o diálogo aberto que assegura um ponto de vista largamente debatido e mantém amplo o nosso campo de visão.

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A Visão Celestina - James Redfield

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